2011 - Lithium Magazine
Entrevista com Eicca Toppinen, do Apocalyptica
Entrevista por Alex Young e fotos por Baden Roth
22 de março de 2011
Entrevista por Alex Young e fotos por Baden Roth
22 de março de 2011
Apocalyptica é uma banda que abriu caminho para a proeminência musical. Desde seu álbum de estréia em 1996, a banda tem confiado em técnicas clássicas, sutileza musical e atmosferas audaciosas, mais do que em sua imagem ou presença de palco. Usando três violoncelistas clássicos e um baterista metralhador, eles vêm deixando sua marca de forte heavy metal pelo globo há quinze anos. Com o lançamento de seu último álbum "7th Symphony", a banda colabora com metaleiros renomados como Slayer, Shinedown e Tree Days Grace. Além da turnê que virá a se suceder no próximo verão, o membro fundador Eicca Toppinen se encontrou com a Lithium Magazine para dar a todos um relance sobre a vida dentro da banda. Alex: Como você acha que "7th symphony" mudou, alterou ou envolveu a percepção de sua audiência sobre o que a banda é capaz, por ter adicionado novos elementos, como novos vocalistas convidados e uma orquestração mais épica?
Eicca: Creio que tenha mudado principalmente na América do Norte, pois na Europa as pessoas são mais familiarizadas com nossos antigos álbuns e eu acho que estamos combinando tudo o que fizemos no passado. Exceto, é claro, com as covers que fizemos no primeiro álbum (o álbum de estréia da banda era composto por covers de Metallica no violoncelo). O processo de composição era mais classicalmente orientado, mas é apenas um som muito mais atualizado e está muito diferente agora. Acho que na Europa nós sempre nos surpreendemos quando lançamos um novo álbum, porque desta vez, tivemos um feedback como "é um álbum tão pesado, é muito pesado".
Alex: Todos os álbuns são pesados!
Eicca: Sim. Nós não sentimos isso quando estávamos fazendo (gravando "7th Symphony"), tínhamos muita consciência de estar tendo uma boa energia e uma boa atitude no álbum. Nós não pensamos sobre isso na hora, mas sim, é um álbum realmente muito pesado. O que mais me deixa feliz comigo mesmo é o fato de que fomos capazes de conseguir um ótimo balanço entre as canções com vocal e as instrumentais. Estou contente que decidimos compor o álbum com a idéia de escrever as canções de vocal e as instrumentais de forma totalmente diferentes. Foi algo como "nós compomos música instrumental e então, música vocal." O que não sabíamos no passado, era qual canção seria com vocal, mas dessa vez fizemos de forma bem clara qual seria o instrumental e quais seriam sem vocal.
Alex: Sim, com certeza. Quais são algumas vantagens de tocar músicas instrumentais e deixar a audiência projetar suas próprias emoções e idéias na música ao invés de influenciá-las a sentir-se de tal maneira através das letras?
Eicca: Sim, isso é o que eu gosto sobre música instrumental. Você sempre traz a eles a experiência na sua própria forma, tem sido incrível durante esses anos todos ver todos os tipos de impressões que as pessoas sentem e as impressões que sentem ao ouvir os instrumentais. As pessoas podem sentir a mesma canção de formas tão diferentes. Isso foi o que aprendi quando comecei a tocar música clássica (Eicca estudou na Academia Sibelius em Helsinque, Finlândia), que para mim a música que eu penso ser muito positiva e brilhante, para outros pode ser a merda mais depressiva.
(Alex e Eicca riem)
Eicca: Eu acho que esse é o grande poder da música instrumental. Você realmente pode apreciá-la livremente. É por isso que é difícil escolher um título para uma música instrumental. Na maioria dos casos, nós não queremos dar muitas definições, sabe? Para mim, a música é meio abstrata, quando eu componho músicas, eu não componho músicas sobre algo específico. Eu apenas componho a música e quando ela está terminada eu sinto minhas próprias impressões, mas eu não quero direcionar as pessoas muito para minhas impressões. Eu quero dar às pessoas a liberdade de sentirem da sua própria maneira.
Alex: Vocês usam muitas alegorias nos títulos de suas músicas instrumentais, o que os permite escapar de armadilhas como "bem, esta é uma música triste e esta é uma música feliz e esta é uma música agressiva". É uma maneira inteligente de desviar desse tipo de problema.
Eicca: Sim, isso é o que gostamos. Alguém acha a música triste e outro acha a música alegre, Eu gosto da liberdade.
Alex: É uma aproximação muito interessante. Como é o processo de seleção para a escolha dos vocalistas convidados que são chamados para colaborar com o álbum, ou é aleatório?
Eicca: Na maioria dos casos, a música indica o vocalista. É tudo sobre como a música foi composta e como ela soa. Basicamente, nós conversamos sobre quais cantores gostamos e quais achamos que podem encaixar no perfil de uma certa canção. Algumas vezes nós compomos junto com os cantores ou nos encontramos com um cantor e é como "Vamos fazer algo juntos". Na maioria dos casos, compomos a música antes de nos aproximar deles.
Alex: Como é trabalhar com Joe Barresi como produtor de "7th Symphony"? Considerando que ele trabalhou com muitas bandas legendárias com sons tão distintos como Tool e Melvins.
Eicca: Nós quisemos trabalhar com Joe porque achamos que ele é muito centrado. Ele tem muita experiência e paixão por som. Ele trouxe toneladas de amplificadores e pedaleiras e tudo mais, então ele ama sons doidos. Nós achamos que realmente precisávamos de alguém que nos guiasse para esse mundo; nós queríamos que o som da banda ficasse mais amplo. Foi realmente ótimo trabalhar com ele e nós realmente gostamos.
Alex: Em muitos álbuns em que ele (Joe Barresi) está por trás, ele realmente explora o som da banda como um todo. Você acha que ele fez justiça ao álbum ao tentar captar isso e em deixar vocês explorarem seu próprio som?
Eicca: Sim, e eu gosto da atitude dele de ignorar rock de rádio, que é a grande coisa na América nesse momento.
(Eicca e Alex riem)
Alex: Sim, nenhuma merda.
Eicca: Se você tem uma grande música e ela é ótima, deveria ser tocada na rádio, ele (Joe Barresi) nunca tentou reduzir nossas canções para três minutos apenas para fazê-las tocarem no rádio. Nada desse tipo. É tudo sobre música e fazê-la empolgante, achar sons empolgantes e compor músicas com você se inspirando por si mesmo. Porque, se você não pode se empolar por si mesmo, como poderia fazer outras pessoas se empolgarem com isso?
Alex: Exato! Eicca: Eu amo a abordagem dele (Joe), é tão musicalmente direcionada, é tão direcionada para a banda. Qualquer banda que ele estiver produzindo, ele estará apenas tentando tirar o melhor da banda.
Alex: Sim, e ao invés de tratar a música como entretenimento, ele realmente se esforça para que as qualidades artísticas sobressaiam.
Eicca: Sim! Ele quer ter a sensação do que é original e especial na banda e não tenta empurrar as bandas todas para o mesmo formato. Ele ama bandas que soam diferente, ele é ótimo por isso.
Alex: De qual maneira, você acredita que sua performance frustra a preconcepção das pessoas que acreditam que não é possível tocar heavy metal sem uma guitarra?
(Eicca ri)
Eicca: Digo que no palco somos mais pesados do que 95% das bandas de metal poraí. Nós rimos, porque enquanto nós gravamos com o Joe, nós fizemos nosso álbum soar como algo vivo e o som é massivo. Nós trazemos bandas para abrir para nós e quando eles nos ouvem eles pensam, "Ah merda! Eu deveria ter ficado em casa!".
(Alex e Eicca riem)
Eicca: Parece tão legal, é algo que faz nosso show ter muito entretenimento, é muita energia. Acho que a grande diferença de um show do Apocalyptica e um show comum de metal é que pessoas que realmente não gostam de metal podem realmente gostar da nossa performance; podem realmente se entreter com nosso show. Há muitos momentos clássicos lá e quanto mais álbuns temos, mais variados estilos tocamos. Como "Seek and Destroy" até metal old school, rock and roll, hardcore, speed metal até algumas belas músicas clássicas, então, a variedade de estilos é diferente.
Alex: A diversidade é bem irresistível. Quando vocês começaram a reconhecer as similaridades musicais entre a música clássica e o heavy metal ao misturar ambos estilos? Há sempre aquela ênfase consistente na melodia e acho que é um fator que que permite que vocês possam revelar a similaridade entre os dois gêneros e mostrar que não são assim tão diferentes.
Eicca: Sim, porque eu acho que não somos focados em gêneros. Há muitas bandas que estão em um gênero e acham que devem permanecer naquele gênero, como "Nós somos esse tipo de banda de metal". Mas nós não temos regras, não temos limites de algum modo, e isso nos ajuda a farmos o que quisermos e ninguém pode nos culpar por isso!
(Eicca ri)
Alex: Não, isso é definitivamente uma vantagem. Sei que vocês estão muito ocupados com a turnê, então muito obrigado por tirar um tempo de sua conturbada agenda.
Eicca: Muito obrigado! Mal posso esperar para vê-los na turnê.
Tradução do inglês para o português por Esther de Camargo
Fonte: Lithium Magazine
Fonte: Lithium Magazine
A Banda