2012 - Apocalyptica no Club Sport Colombia por ABC Digital (Paraguai)
A Sinfonia Metálica de Quatro Homens
Os violoncelos, instrumentos da família dos violinos e certamente mais associados a orquestras sinfônicas que bandas de rock, substituem as guitarras elétricas e os baixos quando o grupo finlandês Apocalyptica sobe ao palco, e nessa terça-feira no Paraguai essa amálgama de instrumentos clássicos com música moderna deu como resultado algo de enorme potência.
(Por Kike Sosa)
Fonte: ABC Color - Gustavo Machado
Quando o Apocalyptica dava seus primeiros passos profissionais, durante a segunda metade da década de 1990, ganhou notoriedade local em sua terra natal, Finlândia, e a nível internacional ao combinar a poderosa, vertiginosa e eletrizante musica do icônico grupo norte-americano Metallica com o som característico dos violoncelos, dando um toque particular às canções mais populares do grupo de James Hetfield.
Claro que o Apocalyptica não se limitou a existir como um peculiar grupo de tributo ao Metallica, e logo começou a ter êxito criando suas próprias versões para músicas de outras grandes figuras do metal mundial e, claro, com suas canções originais. O grupo foi evoluindo em seu som e popularidade, chegando a tocar em várias ocasiões com os mais seletos do metal mundial, incluindo até mesmo os membros do Metallica, além de lançar uns sete discos desde seu início até hoje.
Entretanto, o Paraguai – um país com um longo histórico de ser ignorado pelos grandes artistas internacionais que partem em turnês pela América Latina – subitamente começou a se tornar um lugar firme e chamativo no mapa musical. 2011 foi um ano para os anais da música e espetáculos no Paraguai, um ano que viu shows que meses antes pareciam inimagináveis para o publico em geral.
Os concertos de dois dos maiores expoentes do rock na história, os grupos norte-americanos Guns N’ Roses e Aerosmith, foram certamente alguns dos mais expressivos – e mais cheios – eventos que tiveram lugar em um ano inesquecível, que incluiu também apresentações de artistas de todos os gêneros musicais e de publico, como Shakira, Black Eyed Peas, Miley Cyrus, Limp Bizkit, Deftones, Maná, Ricky Martin, Carajo e, claro, Megadeth, que deu um show que foi gravado a fogo na memória dos fãs do metal no Paraguai.
Eicca Toppinen, membro fundador de Apocalyptica
E eram esses mesmos fãs que hoje teriam um encontro mais que obrigatório com outra banda destacada na cena do metal mundial, uma sem a trajetória de Dave Mustaine e os seus, mas com um talento indubitável e com um modo muito especial de fazer música.
Com isso em mente, milhares de pessoas se voltaram nessa terça-feira, nas últimas horas da tarde, ao Estádio Alfonso Colmán do Club Sport Colombia, em Fernando de la Mora.
Brasileiros de Ferro
O encontro musical começou próximo das 19:30 com a aparição no palco do grupo brasileiro Children of the Beast, que se especializou em homenagear a lendária banda britânica de metal, Iron Maiden.
Os brasileiros mostraram uma forte conexão com o público, ao que certamente foi correspondido com o calor da platéia, que fez coro para alguns dos maiores sucessos da banda fundada por Steve Harris.
Momentos especiais foram vividos em Alfonso Colmán quando os Children fizeram explodir a platéia com músicas como “The Number of the Beast”, “Powerslave”, “Brave New World”, “Fear of the Dark” e, como é lógico, a canção que deu nome à banda de Harris, “Iron Maiden”.
Perttu Kivilaakso
Fortemente aplaudida e acompanhada pela platéia foi a atuação dos músicos brasileiros, que depois de agradecer a platéia repetidas vezes pela recepção e ainda tirarem um tempo para tirar uma fotografia do grupo com o público às suas costas, disseram adeus aos milhares de paraguaios presentes por volta das 21:00.
Sinfonia Metálica
Havia se passado apenas uns poucos minutos das 21:30 – hora programada para o início da atração principal da noite – quando Eicca Toppinen, Paavo Lötjönen, Perttu Kivilaakso e Mikko Sirén, os quatro finlandeses de aparência curiosa e forte sotaque ao tentar falar Inglês, surgiram no palco – os três primeiros com os violoncelos em mãos – ante a esmagadora emoção da platéia, que já tinha se cansado de esperar.
As coisas foram direto ao ponto, e sem dizer palavra os artistas começaram a tocar e de seus instrumentos em conjunto saiu “On the Rooftop with Quasimodo”, que abriu o show com tanta fluidez quanto potência pura. Essa música foi enganchada pelos artistas a “2010”. Assim, o grupo abriu o concerto com duas de suas canções mais recentes, do seu último álbum, e uma vez deixadas de lado as introduções musicais começaram as verbais, e o carismático Perttu Kivilaakso, fazendo graça de seu sotaque marcado, começou a saudar o publico em Espanhol e Inglês.
Depois disso o grupo atacou com “Grace”, que arrancou palmas entusiasmadas e fez aumentar a emoção entre a multidão.
Porém a primeira explosão verdadeira do público chegou com a seguinte canção. Porque as raízes do grupo estão no grupo que os inspirou, Metallica, e um grupo que alcançou a fama fazendo covers dessa banda não podia deixar de incluir suas canções na apresentação. Assim sendo, o público enlouqueceu quando a imortal “Master of Puppets” começou a balançar as cabeças por toda a parte e a converter o público em um coral numa sinfonia de metal.

A interação dos integrantes do grupo com o público foi constante e quase a cada pausa entre as músicas trazia uma nova lisonja por parte dos músicos ao país – que qualificaram como cheio de gente calorosa e amável – a platéia por cantar bem – “ou pelo menos forte”, como disse brincando um dos integrantes do grupo – ou por estarem “loucos”.
Para juntar-se no palco com o grupo, subiu o cantor Tipe Johnson, companheiro de turnê dos finlandeses para assumir as partes vocais de “End of Me” e “I’m Not Jesus”.
Seguiu “Quutamo”, uma mostra mais de quão bem se completam os violoncelos com a bateria de Mikko Sirén, de impecável trabalho em todo o concerto; uma combinação que pode ser descrita certamente como “eletrizante”.
Esta foi seguida, sem dúvidas, por uma mudança total na apresentação, quando Kivilaakso independentemente de seus companheiros violoncelistas e de Sirén na bateria, interpretou um longo e surpreendente solo clássico, ao qual seguiu “Bittersweet”, um tema parecido, mas dessa vez com a participação também de Toppinen e Lötjönen. O público explodiu em aplausos para ambas as canções.
E explodiu ainda mais forte quando, logo depois dessas canções, soou a emblemática canção do Metallica, “Nothing Else Matters”, que foi cantada pelo público em sua absoluta totalidade com enorme potência. Kivilaakso teve um momento após essa canção para tornar a louvar o Paraguai, sua gente e sua hospitalidade.

As coisas tornaram a ser energéticas e vertiginosas com a instrumental “Last Hope”, a qual seguiu “Life Burns!”, para a qual voltou a fazer parte a presença do vocalista Johnson. A selvageria em sua máxima expressão retornou quando o Metallica voltou a aparecer no repertório da noite com “Seek and Destroy”, que artistas e público cantaram aos gritos.
Nesse ponto, os integrantes do grupo anunciaram que a música seguinte era a última da noite, diante a um público que resistia à idéia, mas que ainda assim vibrou com toda a sua energia com “Inquisition Symphony”, um cover do icônico grupo brasileiro de metal Sepultura. No ato seguinte, o grupo desapareceu do palco enquanto o público pedia aos berros “mais um”.
As luzes, contudo, jamais se apagaram por completo e minutos depois de desaparecerem, os finlandeses reapareceram para tocar a épica “At the Gates of Manala”, enquanto o público festejava por ter de volta os artistas ao palco.
Tipe Johnson também reapareceu para cantar o tema seguinte, “I Don’t Care”, que não foi menos e pôs o público a pular. No ato seguinte, o grupo voltou a agradecer os paraguaios pela hospitalidade e asseguraram que demorou muito para que eles chegassem ao país, “valeu a pena” e que, em honra a essa primeira vez que se apresentavam no país – embora não a última, segundo disseram e reiteraram em várias ocasiões -, tocariam uma música que já não tocavam fazia um bom tempo.
Essa canção foi nada mais nada menos, que um dos mais icônicos sucessos da história do Metallica, “Enter Sandman”, que emocionou a platéia enquanto Sirén vestia sua bateria com uma bandeira paraguaia. E o show se recusava a terminar, porque depois de concluir o cover do Metallica, o grupo decidiu tocar uma música a mais “porque nos trataram muito bem”.

Essa música foi um dos grandes sucessos próprios do grupo, “Hall of the Mountain King”, que de ter sido a última música, encerraria o concerto com nota altíssima... Porém tão pouco aí se acabaria o espetáculo, já que o grupo anunciou à platéia surpresa que tocariam mais uma música “porque amamos vocês”.
“É a primeira vez que fazemos tantos encores”, comentou Toppinen. “Mas é culpa de vocês, bastardos”.
E o que seria o encore final foi, adequadamente, o tema que leva por titulo “Farewell”, cujos aplausos ao fim duraram muitos minutos.
“Paraguai, é fácil amá-los!”, foi a declaração final da banda antes de desaparecer na escuridão do palco sem luz, não sem antes deixar o público com um “Nos vemos em breve!”.
Tradução do Espanhol para o Português por Carolina Galuppo.
Fonte: ABC Digital
A Banda